07 Julho 2009

Aguardem atualizações em breve...

Oi pessoal. O blog anda bem desatualizado eu sei...

Mas a correria com o mestrado tá me tirando do sério.
Aguardem atualizações muito em breve.

Beijos

27 Abril 2009

UMA PÁSCOA PRA LÁ DE ESPECIAL


ABRIL 2009



Comecei o mês trabalhando no novo formato dos meus desenhos – 70 x 100 cm . Realmente a imagem em tamanho maior tem um impacto mais interessante. Mas os professores acharam que 70 x 100 ainda é pequeno demais! Entendo a posição deles em relação ao impacto de uma imagem maior, mas minha idéia é usar um conjunto de desenhos e um tamanho muito maior limita a quantidade de desenhos. Mas enfim, não vou ter como escapar. O jeito foi recomeçar tudo de novo em formato ainda maior: – 1 x 1,50 m (quase a minha altura! Hehe).



E em meio a correria das aulas e do mestrado fui assistir um espetáculo lindo no Chapitô chamado “Tulius Claunus” um espetáculo de Clown interpretado pelo Sérgio Fernandes, marido da Maya Kempe, que voltou temporariamente para Lisboa para a programação das férias da Páscoa com a Catarina no Espaço Azul. A Maya está linda grávida!



Minha Páscoa foi muito especial. Na sexta sai com umas amigas pra papear. No Sábado tive uma supresa incrivel. A Amarylis e o Fernando, um casal de alunos que faz pintura comigo, foram na minha casa me ajudar a montar minha cama, que eu não tinha conseguido montar sozinha e ainda me deram de presente uma comoda linda. Passamos o dia inteiro a decifrar as instruções do IKEA para montar a cama e a comoda. No domingo fui na missa na Igreja aqui em frente de casa. Não é que o padre esqueceu que tinha missa e tiveram que pegar ele em casa? A missa começou com atraso e foi vapt-vupt… Almocei na casa da Ana Telhado com a mãe dela e o nenezinho… Depois de muito comer e papear fomos dar uma volta até o jardim botânico. Foi uma delícia. A Ana é um grande exemplo de garra e determinação, além de ser uma fotógrafa incrível.
O mestrado vai indo… Algumas aulas são boas, outras nem tanto. Dia 18 não tivemos aulas a tarde para assistir um espetáculo de dança contemporânea. Eu particularmente não gostei muito. Não tocou nem o cérebro nem o coração… A boa notícia é que o professor de sábado aceitou transferir a aula para sexta das 9 às 11h. Vai ser duro acordar tão cedo, mas pelo menos só teremos que ir na sexta e não perdemos tanto tempo e dinheiro. Também no dia 18 fui no Next-Art assistir uma conferência sobre diários gráficos com o Eduardo Salavisa. Deu a maior vontade de voltar a desenhar com mais frequencia…. Depois da conferência fui com a Isabel, a Teresa e o Oliver assistir a um espetáculo de dança do Alban, namorado da Isabel. Foi uma saga chegar a tempo, mas valeu a pena, foi lindo.

A correria tem sido muito grande. Continuo hiper cansada e stressada. Continuo sem máquina de lavar em casa, lavando as roupas na mão… “Ensaboa, mulata ensaboa, Ensaboa, to ensaboando…“



Dia 24 foi um dia particularmente comprido. Acordei as 5 da manhã para tomar banho, café e pegar o primeiro metro (tive que esperar que abrissem o portão de entrada…) para ir até o cais do Sodré pegar o trêm para Oeiras, onde peguei carona com a Eunice para ir para Évora. Uma canseira. A aula de teoria da representação foi mto interessante; já o outro professor esqueceu da nossa aula e só foi aparecer uma hora depois. A aula prática foi cancelada pois tinha uma apresentação de tese de uma garota de outra turma. Foi mto boa, ela conseguiu nota máxima. A Marta de Menezes é que foi a arguente. Como não tivemos aula de Seminários fomos embora mais cedo. Cheguei em casa hiper cansada, mas a Teresa convidou para um arraial com mais outros amigos no Largo do Carmo, pela comemoração do 25 de abril. Deitei um pouquinho para recobrar as forças e fui pra lá. Valeu a pena. Tinha bastante gente e embora esperasse uma comemoração mais animada… estava divertido. Várias barraquinhas de instituições sociais estavam vendendo doces, salgados, bebidas, livros e artesanatos. Colocaram um tanque no fundo da praça e numa plataforma colocada sobre ele estavam um pianista (de fraque e com calças militares) e uma cantora que interpretou canções que marcaram o final da ditadura aqui em Portugal. Quase peguei o último metro para casa….



No Sábado 25 fui com minha maninha portuguesa, a Ana, assistir “Linha de Passe” um filme “brazuca” da Daniela Thomas e do Walter Sales. É mesmo muito bom. Dá muito o que pensar.
Domingo a tarde fui me encontrar com minha amiga Candida e uns amigos dela e fomos para um parque em Monsanto para um piquenique para comemorar o aniversário dela. O tempo tava muito frio e o vento estava de matar, mas foi divertido. O parque tem uma grande área para as crianças brincarem e naquela região existem vários outros pequenos parques para a prática de esportes radicais, passeios e piqueniques. Voltei só a noitinha.





GRANDES MUDANÇAS







MARÇO 2009

Comecei março me recuperando e logo no dia primeiro fui assistir um filme muito bom – “Dúvida”. Mal sabia eu que poucos dias depois também eu seria “posta em dúvida” por algo que eu não fiz…

Aos poucos fui organizando minha vida na casa, contribuindo pra comprar umas coisinhas que faziam falta. Sentia-me bem lá apesar da falta da janela e não imaginava ter que sair de lá tão cedo.
Tudo parecia bem até o dia 6. No dia anterior a garota que aluga o quarto me pediu que deixasse o dinheiro do aluguel em cima da comoda dela, uma vez que ela chegaria muito tarde aquele dia. Dia 6 de manhã estava tomando café quando ela me abordou perguntando do dinheiro. Falei que tinha deixado onde ela pediu. Foi ai que começou o pesadelo. O namorado dela me acusando de ter inventado a história para não pagar o aluguel e me ameaçando. Fui coagida a pagar novamente a renda, coisa que se eu tivesse a cabeça fria não teria feito, só teria voltado pra lá com a polícia, mas o cara tava tão alterado que só faltou partir para cima de mim. FUI ROUBADA DENTRO DE CASA E AINDA ACUSADA DE TER INVENTADO A HISTÓRIA.

Fui pra escola em estado de choque. Não consegui participar da reunião dos formadores programada para aquele dia e muito menos ir para a reunião em Évora (para discutir os critérios de avaliação das nossas notas da parte prática que tinham sido super baixas). Todo pessoal da escola me deu muito apoio. Fui com a Catarina à polícia mas a solução deles era ir comigo lá pra identificar a pessoa que me ameaçou, pegar minhas coisas e não voltar mais prá lá. Mas o rapaz não estava na casa, nem minhas coisas caberiam no carrinho da polícia… Fomos então até a casa, onde ainda tentamos conversar novamente com a garota, sem sucesso. Mas em meio a toda essa confusão Deus coloca anjos no caminho. No mesmo dia a tarde minha amiga Isabel foi me mostrar um local onde eu posso ficar – uma kitinete de propriedade da sua familia. Precisa ainda de muitas coisas mas é mto bem localizada, numa região bem simpática da cidade. Passei o final de semana inteiro em estado de choque, organizando novamente minha mudança e dando uma geral na nova casinha. Tenho ficado assustada comigo mesmo no como muitos dos últimos acontecimentos tem me afetado tanto emocionalmente. O clima na casa depois do roubo ficou horrível. Embora eu saiba quem foi não tenho nenhuma prova e é apenas minha palavra contra a deles. Como sou nova na casa, de vítima de roubo passei a culpada de ter inventado a história. Ainda tentei conversar com todos em conjunto como adultos, civilizadamente, mas o rapaz novamente ficou completamente alterado e ali percebi que deveria sair de lá o mais rápido possível antes que eu saisse mais prejudicada dessa história.

Assim na segunda feira pela manhã entreguei a chave e novamente me mudei. A mudança foi rápida em uma hora já tinhamos levado tudo pra nova casa. Passei o dia organizando minhas coisas, mas não pude dormir lá. Ainda não tinham religado a luz… E como o apartamentinho estava praticamente vazio e eu não tinha nem um copo, passei uns dias na casa da Teresa até conseguir organizar o mínimo para poder me mudar pra valer. Só fui dormir lá no dia 20, ainda sem ter conseguido organizar tudo o que precisava. Ainda preciso conseguir um fogão (só funciona uma chapa elétrica) e uma máquina de lavar usados…

Dia 13 de março, embora oficialmente tenha sido o início do segundo semestre do mestrado, ainda apresentamos seminário para o primeiro semestre. No final de semana fui ao cinema com minhas amigas e tive um domingo super cultural. Fui numa visita guiada com a Ana (e o Joaquim)– exposição do João Vasconcelos no CAM/Gulbenkian. Ele tem um trabalho muito interessante e retrata há 10 anos uma mesma paisagem em diversos materiais, sem nunca se repetir. Depois fomos almoçar no corte ingles e de lá fomos visitar a exposição muito boa de desenhos no Museu da Cidade e depois uma expo no Museu da Eletricidade. A noite tivemos jantar e reunião de formadores na casa da Teresa.

As aulas na escola correm bem e aos poucos vou colocando minha cabeça e minhas coisas no lugar. Mas continuo muito stressada com tudo. Estou em fase de grandes decisões em relação ao meu futuro. E qualquer decisão que eu tomar pode mudar completamente o curso da minha vida. Por muito pouco não desisti do mestrado. Principalmente depois de descobrir que não teria validade legal no Brasil. Fui aceita no mestrado devido ao processo de Bologna, que levou em consideração o período que eu estudei na Itália, o tempo que fiz faculdade de publicidade e toda minha experiência profissional. Ainda estou digerindo e tentando entender tudo o que aconteceu. Tem acontecido muitas coisas estranhas. Muitas vezes me perguntei o porque Deus ter colocado no meu caminho situações como essas. É claro que quando o emocional já não anda bem tudo parece maior do que realmente é. Tenho amigos enfrentando situações muito mais complicadas com mais cabeça fria. E meus amigos daqui e minha família, mesmo distantes, tem sido essenciais em todo esse processo. Dando apoio emocional – o mais importante e até material. Parte das coisas que consegui pra casinha nova foram doações dos amigos da escola e de alguns alunos que se tornaram grandes amigos.

“Um viajante não deve se rebaixar ocupando-se com vulgaridades que encontra em seu caminho. Quanto mais humilde e indefesa for sua situação externa, tanto mais deve ele preservar sua dignidade interior”. (I-Ching)

Releio os textos do famoso e milenar I-Ching que minha tia leu pra mim via Skype, na tentativa de me ajudar a tomar uma direção em minhas decisões. Me deu muito o que refletir…

O roubo e as despesas com a nova casa desestabilizaram um bocado meu orçamento. Então acabei aceitando um trabalhinho de ilustração para uma amiga – ilustrar um manual de massagem ayurvédica. Não bastasse toda a correria com a aulas e o mestrado, arrumei mais pra cabeça!

No final de março, já sem poder mais trancar a matrícula do mestrado pois já tinha passado o prazo (juro que eu tentei apelar para Deus e o mundo), retomei de vez às aulas, meio contrariada. Ao menos o coordenador vem sendo muito compreensivo em ajudar a tentar resolver esse entrave burocrático para que o diploma seja aceito no Brasil. Vou dando continuidade no meu projeto, mais lentamente do que gostaria por falta de tempo. Seguindo as orientações dos professores a palavra de ordem agora é fazer os auto retratos em formato beeem grande . O novo professor do sábado é muito bom (Teoria da representação).

AVENTURAS E DESVENTURAS À PORTUGUESA


FEVEREIRO – UM BREVE RESUMO

Já passou muito tempo desde a última vez que eu escrevi o último post. Mas quem vem realmente acompanhando minhas aventuras de perto sabe bem o quanto esses últimos meses foram conturbados. Também estou sem net em casa por enquanto. Verifico meus e-mails na escola, mas não dá pra gastar muito tempo na net quando estou lá. Aos poucos vou reorganizando o blog… Prometo, o pessoal já tá me cobrando. Engraçado que tem muita gente acompanhando e que achou o blog por acaso…

Janeiro terminou com uma boa surpresa. Voltando de cabeça quente depois de uma sexta feira de mestrado (a cada dia que passa to cada vez mais desanimada), fui “tomar um copo “ com a Alexa e a Teresa. Quase de saída acabamos conhecemos um grupo muito divertido – parte da orquestra da Gulbenkian. Fizemos amizade com um senhor que é violinista da orquestra, o Sr. Antonio. Acabamos ganhando convite para a ópera Medéia na Fundação Gulbenkian. Foi muito bom. E como foi a última apresentação do nosso novo amigo na orquestra antes da aposentadoria, fomos comemorar com ele e com a orquestra em um bar espanhol muito legal e com comidinhas deliciosas.

Todo meu tempo “livre” foi dedicado aos trabalhos práticos e teóricos do mestrado. Foi duro dividir o tempo, pois num mesmo dia “Tico e Teco” nunca conseguiam dedicar-se as partes práticas e teóricas… Foi um stress só. Sobrou pouco tempo pra diversão… Mas enfim, sobrevivi e consegui entregar todos os trabalhos a tempo.

Meu aniversário foi comemorado com alguns dos meus amigos daqui no Café Austríaco. Foi muito gostoso. É muito bom estar entre amigos e sentir-se apoiada. Só quem já esteve/está longe para saber o que isso significa.
Após meu aniversário experimentei minha fase de “inferno astral”. De uma hora para outra, me vi obrigada a procurar um novo quarto e deixar o apartamento no qual vivi por um ano e meio. É uma pena que nem todo mundo saiba ser tolerante com quem pensa diferente. Foi uma saga. Não é nada fácil conseguir alguma coisa que preste assim de repente. Desde o dia 9 meu quarto era só caixas para todo lado. Como é que eu consegui juntar tanta tralha em menos de dois anos? O processo da mudança me fez refletir sobre o quanto acumulamos ao longo da vida, sendo que a maioria das coisas não fazem a menor falta. Tudo o que eu mais queria agora é que todas minhas coisas coubessem em uma única mala. Mas é impossível. Além das roupas e livros que eu trouxe, agora tenho os casacos de inverno, os novos livros que comprei (essa é a minha perdição), uma cama que eu ganhei, uma estante e uma mesinha, além das roupas de cama e toalhas. Faltando uns 10 dias para o final do mês tinha 3 opções de quarto. Todas tinham seus prós e contras, e acabei escolhendo aquela que me parecia mais conveniente, tanto em termos de localização como de preço. E tinha a indicação de uma amiga que já tinha morado lá. Mal sabia eu o quanto o barato me sairia caro.

Em meio às pesquisas de quartos, as organizações da mudança e os intermináveis trabalhos do mestrado, um pouquinho de diversão: fui assistir Vick Cristina Barcelona; fui ao Chapitô com minhas amigas assistir uma apresentação de jazz do grupo do Demian – namorado da Catita. Foi excelente e aconteceu em um lugar bizarro – num antigo tanque (uma espécie de piscina). Por isso mesmo o projeto era chamado Jazz no tanque… Também fui conhecer de perto os trabalhos da minha amiga Eunice (do mestrado) que são incríveis e fui passear em Cascais.
Sexta 20 – dia da avaliação prática no mestrado. Foi melhor que a encomenda. Pelo menos acho que fiz uma boa defesa do meu trabalho. No geral a maioria da turma tb se saiu bem. No dia seguinte estive na escola para a conferência sobre vídeo arte com o Paulo. Foi super interessante, particularmente o vídeo sobre o Bill Viola, muito inspirador. Depois da conferência fui com o Paulo, a Marta e a Teresa num barzinho super simpático cheio de coisas gostosas no bairro de Alfama chamado “Verdeperto”.

O carnaval passou e eu nem aproveitei, nem pra descansar… Dia 23 foi o dia da minha mudança. Passei o dia na maior ansiedade. Terminando de organizar as coisas, desmontando a mesinha, a cama, indo e voltando da nova casa, aproveitando que eu ia pegar a chave e começando a levar algumas coisinhas. A mudança tava combinada para as 18h, mas o cara só foi aparecer as 20h… Já não aguentava mais, mas a mudança foi rápida. Uma hora depois eu já tava com tudo na casa nova. Comecei a organizar algumas coisinhas, só pra deixar o quarto minimamente decente, joguei o colchão no chão, fiz a cama, tomei um banho e aterrei…
Meu início na casa nova foi tranquila. Atmosfera acolhedora, o pessoal parecia simpático – todos brasileiros. Estava há poucos minutos a pé da escola, perto da Av da Liberdade, uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Um local um bocado barulhento e cujo movimento dos carros as vezes fazia tremer um pouquinho a casa… Embora a princípio estivesse gostando da atmosfera, minha situação ali não era das melhores. O quarto era minúsculo e não tinha janela. Lembro na altura da mudança ter feito uma associação com um quadro super famoso do Magritte chamado “Condição humana” que retrata justamente uma janela… Mas o pouco tempo que passava na casa era ou para dormir ou para pesquisar e escrever…

Tanto estímulo mental e preocupações e o meu stress passou dos limites de novo. Fui pedir socorro a minha amiga Marta que trabalha com medicina chinesa para duas sessões de acupuntura e massagem. Preciso urgentemente de férias. E quem tanto engole sapo um dia leva na cabeça – encerrei o mês com uma crise de fígado daquelas… Segundo a medicina chinesa, resultado de raiva e frustração “não digerida”…

31 Janeiro 2009

JANEIRO 2009

Janeiro começou tranquilinho. Tirei alguns (poucos) dias para curtir meus amigos, passear um pouquinho pela cidade, e novamente assistir um espetáculo de fado. Dia 5 de janeiro recomeçaram as aulas na Next-Art. A pausa foi mesmo só de duas semanas.
As turmas de pintura, desenho e técnicas mistas entram agora no novo trimestre e quase todas as minhas turmas tem foco no estudo da figura humana. Tem sido incrível, pois num primeiro contato, é natural a ansiedade e a dificuldade, mas a partir do momento que eles se entregam à experiência, descobrem que tudo é possível e que são capazes de mais do que imaginam.

Dia 7 a mãe da Paulinha foi embora deixando saudades em todos. A convivência com ela foi incrível. Pena que com a minha correria eu mal estava em casa. Mas sempre me divertia muito quando estava com ela, nos papos e nos shows de fado. É uma pessoa de uma sensibilidade muito grande, muita energia e vitalidade.

O frio e a chuva continuam se trégua. Muitas vezes chega-se a casa completamente encharcado e tentar secar roupa dentro de casa é uma luta. Esse tipo de clima realmente me tira do sério e mostra que realmente nascemos no lugar certo! Não vejo a hora de voltar para meu clima tropical, com inverno seco e verão chuvoso. Até os "nativos" que deveriam estar acostumados a esse clima andam reclamando que já não aguentam mais tanta chuva.

Minha vida tem sido uma loucura só desde o início do mestrado. Sobra bem pouco tempo livre pra sair, pra ver os amigos, pra parar, para curtir a cidade e os arredores. Tem horas que eu me pergunto o porque ter inventado mais pra cabeça. Podia ter mantido o foco nas aulas e no meu trabalho pessoal, sem a obrigação de horários e viagens. Devo confessar que fazer esse mestrado foi uma decisão tomada meio por impulso, meio por pensar no meu futuro ai no Brasil. Embora não tenha propriamente uma paixão pela vida acadêmica, há alguns anos tive convite para dar aulas em universidade, mas não tinha titulação suficiente. E como minha área é mais instável impossível, quanto mais estivermos preparados mais oportunidades podem surgir.

Hoje mesmo conversei com uma amiga do mestrado sobre essas coisas. O artista plástico é um tipo de profissional que em geral tem que ter um (ou mais) emprego (s) paralelo (s) para poder fazer o que realmente gosta.

Na universidade entramos em plena época de exames, entrega de trabalhos práticos e teóricos. To ficando doida pra organizar meu tempo e dar conta de tudo. Não consigo misturar os trabalhos práticos e teóricos num mesmo dia, pois exigem um tipo de foco/energia diferentes, e como só tenho praticamente os domingos e parte da segunda livres, é mesmo duro organizar as pesquisas. As aulas teóricas de sábado tem sido incríveis. A professora é um exemplo de inteligência, dedicação, ética, e integridade. Tem nos ajudado muito em nosso percurso criativo.

Pra arejar a cabeça só mesmo de vez em quando deixando as pesquisas de lado e saindo com os amigos. Fui visitar a exposição da Paula Rego com a Teresa em Algés e acabei conhecendo um outro brasileiro que veio viver aqui e que em busca de informações sobre a imigração em Portugal, descobriu meu blog. Normalmente as sextas ou sábados a noite, apesar do cansaço tento escapar para sair com meus amigos. Tenho sentido muita falta de ter mais tempo livre pra mim, de fazer mais exercício físico e de estudar música (saudades da turma e dos ensaios do Cantares...)

Dia 22 de janeiro fui a um concerto de música brasileira na Casa da América Latina a convite do meu amigo Aires. O grupo Raspa de Tacho deu um show de chorinho, com uma certa levada de jazz. Pena que não ficamos até o final. A turma não tava habituada com o estilo e parece que não gostaram muito. Na verdade o show era só pretexto para comemorar o aniversário do Oliver e depois saimos para “tomar um copo” no bar madeirense que tinha ali perto e experimentar a famosa "poncha madeirense".

04 Janeiro 2009

SEMANAS DE NATAL E ANO NOVO

Caramba como o tempo voa. Essas duas semaninhas de férias passaram voando. O tempo frio e chuvoso não ajudou muito os passeios. Acabei por ficar muito tempo em casa, ou na casa de amigos, comendo e batendo papo!
Também aproveitei para fazer alguns desenhos e algumas entrevistas para o projeto do mestrado; ler um pouquinho. Infelizmente não consegui fazer tantas experiências como gostaria, mas tive novas idéias. A saudade da familia e dos amigos bateu forte. Muito forte.
O Natal eu passei com a familia da Ana Gonçalves. Foi uma delicia, principalmente pelo carinho, e pela acolhida.
Aproveitei também para curtir um cineminha. Fui assistir “A fome” – um filme muito forte, que é um soco no estomago, sobre a situação dos prisioneiros irlandeses. E também um filme francês muito bom chamado “A turma”.
A virada do Ano Novo eu passei com a Fabiana, (que passou a morar aqui em casa com a ida temporária do Alex para o Brasil a trabalho), e com os amigos dela. Foi bem divertido, tivemos uma ceia deliciosa, pessoas das mais variadas partes do mundo, (com grande predominância de italianos...). Depois da meia noite fomos para uma festa perto do Castelo de São Jorge. O tempo frio e chuvoso não ajudou muito, mas foi divertido. Mas deu muitas saudades de casa. Tudo o que eu mais queria era de estar na praia pulando as sete ondas, comemorando com minha família e amigos.

A mãe da Paulinha, que veio aqui na metade de novembro para a defesa de tese dela, continua aqui até esta semana. Tem sido um barato conviver com ela. É de uma alegria e espontaneidade sem igual. Rimos muito com ela. Com ela fui a duas casas de fado. Foi uma experiência sui generis. Eram casas do chamado “fado vadio”, onde várias pessoas, profissionais ou não, amantes do fado se apresentam durante a noite, enquanto os clientes deliciam-se com a comida portuguesa. Tem muitos cantores muito bons, mesmo entre os não profissionais.
Hoje foi o último dia de férias. Amanhã embora não de aulas tenho mil coisas a preparar.
Agora é respirar fundo e enfrentar novamente a correria.

ENTRE CASTANHAS E CHOCOLATES

Oi pessoal, td bem?

Mais uma vez é Natal. É incrível o como o tempo passou voando. Parece que foi ontem que eu descrevia meu primeiro Natal em Lisboa, com cheirinho de castanhas.
Muita coisa aconteceu este ano. Novas amizades, muito aprendizado, muitos desafios. Meu objetivo de ficar por aqui um ano acabou se esticando “um bocadinho”. O mais novo desafio é o mestrado em Artes Visuais que comecei em novembro. Pra nós brasileiros é estranho pensar num curso começando em novembro, mas aqui o “ano letivo” é meio maluco mesmo.
A cidade está toda enfeitada para o Natal. Por todo lado, luzes brancas e vermelhas desenham formas pelo ar e ajudam a alegrar o tempo frio e chuvoso. Menos mal a chuva resolveu dar uma trégua nesses últimos dias. Mas o frio tem sido intenso. Frio + chuva é soma certa pra aumentar a saudade e a melancolia. A cidade está caótica com tanta gente andando de um lado para outro em meio as compras. Embora eu não tenha paciência para compras, às vezes eu gosto de andar pela cidade para ver a movimentação. Vendedores ambulantes por todo lado, a vender lenços coloridos, artesanato africano e muita bugiganga made in China. Supermercados com filas imensas, as últimas compras para as ceias. Turistas por todo lado, vindos de todos os cantos. Pessoas elegantes em peregrinação de loja em loja, aproveitando o início dos famosos saldos. Os artistas de rua continuam a alegrar o centro da cidade com seus números de malabarismo, estátuas vivas e suas pinturas. Nas estações do metro, executivos, adolescentes, casais, e turistas, se misturam aos pedintes, cada vez mais numerosos, e às senhorinhas de preto, com suas trouxas de plástico ou pano na cabeça, tão típicas daqui. Como que saidas de um filme de época parecem alheias a essa movimentação toda do Natal.
O ar continua a cheirar a castanhas. E em meio a fumaça dos carrinhos das castanhas e a bagunça da cidade, minha imaginação voa longe, para o outro lado do oceano. Nessa época bate uma saudade danada da família e dos amigos. Difícil conter a emoção ao assistir as belas apresentações de corais e ao ler as mensagens que começam a chegar pelo e-mail. Pra ajudar a controlar a saudade e a ansiedade só mesmo o carinho dos amigos daqui e muito chocolate… hehe.
Vou passar o Natal com uma família muito querida de uma grande amiga portuguesa que me acolheu e adotou desde o ano passado… O carinho e a alegria dos amigos dessa família adotiva ajuda a amenizar a saudade da família de verdade e dos amigos que (apenas) fisicamente estão longe.
A vida dá muitas voltas... muitos de vocês estão bem longe agora, espalhados pelos quatro cantos do Brasil e do mundo: Alemanha, Itália, Espanha, Portugal, Holanda, Noruega, Áustria, Colômbia, Peru, Equador, Panamá, Estados Unidos.... Mas apesar da distancia física, quando existe amizade verdadeira, a distância na verdade não existe. Ainda mais agora com a internet... Maravilha da tecnologia!
Desejo a todos vocês um Santo e Feliz Natal. Independentemente das crenças e tradições de cada um, espero que o amor renasça no coração de todos nós para que possamos juntos construir um 2009 cheio de esperança, saúde, paz, equilíbrio, amor, coragem e muita alegria, pois o resto, a gente sempre dá um jeito!!

Um grande beijo, ou como dizem por aqui, um beijinho grande !